quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Três anos de saudade

É uma lacuna imensa, sem a menor chance de ser preenchida. São três anos de olhos lacrimejantes a cada lembrança, a cada momento em que ela poderia (e deveria) estar.
Foi uma perda que me dilacerou. Fiquei sem chão. Era a minha avó-mãe que estava indo embora; e sem tempo para longas despedidas. Foram 20 dias e adeus! Foram três anos que passaram rapidamente, mas que não apagaram sua presença nem diminuíram a saudade. Há momentos em que a presença e o sorriso dela seriam imprescindíveis; como quando o meu filho aprendeu a rezar desde os quatro anos várias orações que ela havia me ensinado. Fico imaginando a cara de orgulho dela; certamente diria: "foi assim que eu criei os meus, ensinando a rezar desde pequenos..."
Precisei muito de seu colo nestes três anos, tanto em momentos alegres quanto em situações de fragilidade ou tristeza. A casa dela continua lá, com a sua cara, sua presença marcante... mas é como se não tivesse mais vida, embora ainda habitada. Não tem mais aquele jeito de pensão-casa-de-vó-um-entra-e-sai-danado, não tem mais as plantas medicinais no quintal nem a sua famosa goiabada na geladeira. Até na calçada é triste, como se fosse frente de uma casa abandonada...
Muita coisa aconteceu naquele trimestre: mudei de endereço, comprei meu primeiro carro, tirei minha habilitação, meu filho entrou na escola, perdi minha maior referência - a mais velha das minhas três mães.
Depois daquele dia 02, meus dezembros nunca mais foram os mesmos. Era seu mês de aniversário. Há três anos fico meio perdida quando se aproxima dezembro. Não tenho mais o mesmo entusiasmo pelo Natal, não sinto mais a mesma alegria ao festejá-lo.
Já sonhei inúmeras vezes com ela. Em algumas, abraçávamo-nos e cheguei a sentir seu cheirinho bom de lavanda pós-banho. Nestas ocasiões sei que recebi a visita dela enquanto dormia; acredito nessa explicação dos espíritas. Em outras, ia dormir preocupada com algum assunto e sonhava com ela me observando com olhar confiante ou simplesmente me afagando. Ao despertar, já sabia que ia dar certo aquilo que me preocupava. Depois realmente vinha a confirmação.
Estar perto da minha avó me acalmava, não precisava que ela me dissesse nada; sua presença era o bastante, era tudo. Devia ter dito mais vezes que a amava. Ela sabia; mesmo assim queria ter dito mais um milhão de vezes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário