Estava lendo Anarquistas Graças a Deus, da Zélia Gattai e lembrei da minha infância e adolescência no interior. Fiquei refletindo sobre os costumes, sobre a vida pacata nas pequenas cidades... e me deparei com uma lembrança: as casas que eu frequentava. As pessoas (quase todas que eu conhecia) podiam comprar ou construir suas casas; em sua maioria, grandes, com área na frente e quintal com bastante espaço. Neste quintal amontoavam-se árvores frutíferas que faziam a alegria da criançada. E não tinha uma casa onde não houvesse pelo menos dois animais domésticos. Nós, as crianças, éramos responsáveis pelo ato de alimentá-los, pelo banho e até mesmo pelo adestramento deles. Isto fazia com que desenvolvêssemos um respeito pelos animais, pela natureza, pela vida. Falta este sentimento nas crianças de hoje. Costumávamos sentar e brincar na calçada, sentar na pracinha, andar bastante a pé, de bicicleta, tudo isso sem perigo algum. Como diz Zélia Gattai "havia tempo para tudo, não se andava apressado, a vida não era abreviada, as palavras não eram abreviadas, nem os nomes das pessoas e das coisas em geral.(...) A vida simples era rica, alegre e sadia. Os divertimentos eram poucos, mas suficientes para encher o nosso mundo." Fiquei alguns minutos pensando nisso, no quanto a gente era feliz com pouco, no quanto as pessoas hoje são "insaciáveis", querem TER o tempo inteiro, só pensam nisso. Parece que nunca estão satisfeitas. Nos meus tempos de criança e adolescente, éramos felizes com aquilo que hoje parece pouco, mas na verdade éramos felizes com aquilo que realmente importa, com as coisas que são simples mas são as que nos fazem bem, nos deixam de alma leve. É essa a diferença.
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