segunda-feira, 17 de maio de 2010

Um pouquinho de nostalgia

Estava lendo Anarquistas Graças a Deus, da Zélia Gattai e lembrei da minha infância e adolescência no interior. Fiquei refletindo sobre os costumes, sobre a vida pacata nas pequenas cidades... e me deparei com uma lembrança: as casas que eu frequentava. As pessoas (quase todas que eu conhecia) podiam comprar ou construir suas casas; em sua maioria, grandes, com área na frente e quintal com bastante espaço. Neste quintal amontoavam-se árvores frutíferas que faziam a alegria da criançada. E não tinha uma casa onde não houvesse pelo menos dois animais domésticos. Nós, as crianças, éramos responsáveis pelo ato de alimentá-los, pelo banho e até mesmo pelo adestramento deles. Isto fazia com que desenvolvêssemos um respeito pelos animais, pela natureza, pela vida. Falta este sentimento nas crianças de hoje. Costumávamos sentar e brincar na calçada, sentar na pracinha, andar bastante a pé, de bicicleta, tudo isso sem perigo algum. Como diz Zélia Gattai "havia tempo para tudo, não se andava apressado, a vida não era abreviada, as palavras não eram abreviadas, nem os nomes das pessoas e das coisas em geral.(...) A vida simples era rica, alegre e sadia. Os divertimentos eram poucos, mas suficientes para encher o nosso mundo." Fiquei alguns minutos pensando nisso, no quanto a gente era feliz com pouco, no quanto as pessoas hoje são "insaciáveis", querem TER o tempo inteiro, só pensam nisso. Parece que nunca estão satisfeitas. Nos meus tempos de criança e adolescente, éramos felizes com aquilo que hoje parece pouco, mas na verdade éramos felizes com aquilo que realmente importa, com as coisas que são simples mas são as que nos fazem bem, nos deixam de alma leve. É essa a diferença.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Autossuficiência

Vi esta definição num panfleto de uma igreja e achei pertinente postá-lo aqui:
O que é autossuficiência?
" 'Autossuficiência significa usar as bênçãos que recebemos do Pai Celestial para cuidar de nós e de nossa família e encontrar soluções para nossos problemas.' Cada um de nós tem a responsabilidade de tentar evitar problemas antes que ocorram e de aprender a superá-los quando ocorrem."
Como nos tornamos autossuficientes?
Tornamo-nos autossuficientes por meio da obtenção de conhecimento, estudo e alfabetização; pela administração sábia do dinheiro e dos recursos; sendo fortes espiritualmente; preparando-nos para emergência e eventualidades; tendo saúde física e bem estar social e emocional.
(Julie B. Beck, presidente geral da Sociedade de Socorro, no livro Princípios Básicos de Bem-Estar e Autossuficiência - publicado em 2009)

Dia das Mães


Em sentido horário: minha avó, minha sogra, minha mãe,
eu com Luís Eduardo, meus filhotes.
É o terceiro Dia das Mães que passo sem ela e a saudade é cada vez maior. Sinto falta de pegar o telefone logo de manhã cedo e ligar pra ouvir sua voz alegre, a se orgulhar das ligações recebidas. Que imensa é a saudade de sua bênção, que me deixava como que protegida pelo resto do dia, da semana, do mês quem sabe. Tenho uma mãe maravilhosa e nem quero imaginar minha vida sem ela. Tenho uma sogra também considerada mãe. Mas a falta da minha avó, que praticamente me criou ainda dói demais, ainda lateja sempre. Era diferente ouvi-la dizer DEUS TE ABENÇOE, era como se essa frase vindo dela tivesse realmente um certo poder, uma proteção. Seu enterro foi o cortejo mais difícil que acompanhei. Gostaria de não tê-lo feito. Devia ter dito a ela semanalmente - e por que não semanalmente? - que fui uma criança mais feliz, e consequentemente, uma adulta mais feliz por sua causa, por seu carinho, sua companhia, sua doce presença. O meu consolo é saber que ela tinha consciência do quanto eu a amava. Às vezes penso que ela era boa demais pra ficar mais tempo aqui, era egoísmo querer segurá-la mais. Mas gostaria muito que tivesse visto meu filho crescer. Ele ia adorar a bisa que ela seria.Lembro da cena no dia de sua morte: eu chorando inconsolável sentada no sofá e de repente, Luís Eduardo veio me emprestar sua chupeta e seu lençol de estimação (o cheiroso, como ele chama) para que eu parasse de chorar. Ele tinha apenas 2 anos e meio, mas entendeu que tratava-se de algo muito sério e muito triste.



Dia das Mães II


Neste ano tive uma surpresinha linda: meus filhotes arrumaram um café da manhã bem lindo, com direito a flores e presente. Adoreiiiiii!!! Tinha visto a movimentação deles desde o dia anterior. Desconfiei que estavam tramando alguma coisa. Só não sabia o que era. Detalhe: o Luís Eduardo tem apenas 5 anos e guardou o segredo de tudo, a pedido da dinda e irmã "adorotiva" dele que é a Aline. Ela me dá um trabalho danado, preocupações... mas ainda consegue me surpreender; é supercarinhosa e muitas vezes me quebra pesados galhos. Esqueci de ressaltar que na sexta-feira, dia 07/05, o Luís Eduardo cantou Gatinha Manhosa - do Leo Jaime, junto com a turminha dele na escola. Ao final, eu precisava de um babador e um lenço. Foi lindoooooo!!!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Saudade

Segunda, 03/05/10, fui à missa de 7º dia da D. Dezinha, mãe da Amilca. Era pra ser só mais uma missa de solidariedade a uma amiga. Mas no finalzinho, eis um fato inesperado: o canto final era a música Utopia, do Pe. Zezinho. Quando comecei a ouvir e a cantar, não suportei, embarguei a voz... aí travou tudo e chorei feito criança. Lembrei da minha infância e início da adolescência, dos tempos de Colégio Antonio Araripe, quando entrávamos na escola ouvindo músicas religiosas, na sua maioria, do Pe. Zezinho. Além de Utopia, lembro de Um Certo Galileu, A Barca, Amar como Jesus amou, Maria de Nazaré e tantas outras. Aí foi inevitável lembrar da minha avó, que me acordava as 6:00h e eu ficava enrolando. Mas a partir das 6:30h já começávamos a ouvir a música tocar na escola. Ai que saudade de tudo: da leveza e da falta de responsabilidade que só a infância nos permite, do colo e dos cuidados da Vó, do café com leite bem quentinho de manhã cedo, do percurso para a escola, dos amigos, da disciplina rígida da Irmã Olindina que se fazia presente através da figura “sargentão” da Irmã Angelim. Ai que saudade!
A letra da música não tinha muito a ver comigo. Graças a Deus, lá em casa não faltava nada. Mas eu gostava de ouvi-la, da melodia, da melancolia em torno dela... enfim, faz parte da minha trilha sonora. Ei-la:

Utopia
Padre Zezinho
Composição: Pe. Zezinho

Das muitas coisas
Do meu tempo de criança
Guardo vivo na lembrança
O aconchego de meu lar
No fim da tarde
Quando tudo se aquietava
A família se ajuntava
Lá no alpendre a conversar

Meus pais não tinham
Nem escola e nem dinheiro
Todo dia o ano inteiro
Trabalhavam sem parar
Faltava tudo
Mas a gente nem ligava
O importante não faltava
Seu sorriso, seu olhar

Eu tantas vezes
Vi meu pai chegar cansado
Mas aquilo era sagrado
Um por um ele afagava
E perguntava
Quem fizera estrepolia
E mamãe nos defendia
E tudo aos poucos se ajeitava

O sol se punha
A viola alguém trazia
Todo mundo então pedia
Pro papai cantar com a gente
Desafinado
Meio rouco e voz cansada
Ele cantava mil toadas
Seu olhar no sol poente

Correu o tempo
E hoje eu vejo a maravilha
De se ter uma família
Quando tantos não a tem
Agora falam
Do desquite ou do divórcio
O amor virou consórcio
Compromisso de ninguém

Há tantos filhos
Que bem mais do que um palácio
Gostariam de um abraço
E do carinho entre seus pais
Se os pais amassem
O divórcio não viria
Chame a isso de utopia
Eu a isso chamo paz.

Estréia

Começo hoje a postar aqui meus devaneios, reflexões, cismas, desabafos, ideias e maluquices de quem sempre gostou de fazer isso, mas que guardava seus escritos em agendas, folhas soltas, pasta em Meus Documentos no próprio pen drive. Hoje resolvi começar a postá-los e a estréia é com a grande Martha Medeiros:

PEDAÇOS DE MIM

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
Detalhes despercebidos
Amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
Pessoas no coração
Atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
Experiências que não vivi
Momentos que já esqueci

Eu sou amor
E carinho constante
Distraída até o bastante
Não paro por instante

Já tive
Noites mal dormidas
Perdi pessoas muito queridas
Cumpri coisas não prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
Pensei em fugir para não enfrentar
Sorri para não chorar

Eu sinto
Pelas coisas que não mudei
Amizades que não cultivei
Aqueles que eu julguei
Coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
Lembranças que fui esquecendo
Amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.