terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Fragmentos

"Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos..." (Clarice Lispector)

"Saudade é amar um passado que ainda não passou. É recusar um presente que nos machuca. É não ver o futuro que nos convida..." (Pablo Neruda)

"Aprendi com a primavera a me deixar cortar, para depois voltar inteira." (Cecília Meireles)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Simples e verdadeiro

Aprendi que podemos nos adaptar com situações que julgamos absurdas e inviáveis. Que somos muito mais felizes desfrutando das coisas simples, descomplicadas.

"... como é simples tudo o que é de verdade." (Glória Perez)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A morte devagar


Morre lentamente quem não troca de idéias,
não troca de discurso,
evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajeto
e as mesmas compras no supermercado.
Quem não troca de marca,
não arrisca vestir uma cor nova,
não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão
o seu guru e seu parceiro diário.
Muitos não podem comprar um livro
ou uma entrada de cinema,
mas muitos podem, e ainda assim alienam-se
diante de um tubo de imagens que traz informação
e entretenimento, mas que não deveria,
mesmo com apenas 14 polegadas,
ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco e os pingos nos is
a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa
quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, quem não ouve música,
quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio.
Pode ser depressão, que é doença séria
e requer ajuda profissional.
Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda,
e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino:
então um governo omisso pode matar lentamente
uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias
queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
desistindo de um projeto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Morre muita gente lentamente,
e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira,
pois quando ela se aproxima de verdade,
aí já estamos muito destreinados
para percorrer o pouco tempo restante.
Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia.
Já que não podemos evitar um final repentino,
que ao menos evitemos a morte em suaves prestações,
lembrando sempre que estar vivo
exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.
(Martha Medeiros)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Bodas de Seda

O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver

Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu

O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu

O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa

Te ver não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa

Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açúcar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica

O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu

O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa

(O nosso amor a gente inventa - Cazuza/João Rebouças/Rogério Meanda)


Eu só queria que você cuidasse
um pouco mais de mim
como eu cuido de você
cuidar é simplesmente
olhar pro mundo que você não vê
Pra medir o amor não existe cálculo
1+1 pode não ser 2
Futuro é linda paisagem
desejo que não é sonho é mera ilusão
Se não sabe
se afasta de mim
mas se ainda cabe
me abrace, enfim
Só ligue se tiver vontade
só venha se quiser me ver
Mentir é pura vaidade
de quem precisa se escconder
Será que eu vejo apenas o que você não vê?
eu não entendo como você não consegue perceber?
que eu não sei mais,
eu não sei mais, eu não sei
O sangue é o rio que irriga a carne
e a alma é a terra de um morro
é luz antiga o fim da tarde
dessa saudade sem socorro
Se não sabe
se afaste de mim
mas antes que seja tarde
nos salve do fim.

(Luz Antiga - Nando Reis)

A felicidade realista

"A vida que me ensinaram como uma vida normal
Tinha trabalho, dinheiro, família, filhos e tal
Era tudo tão perfeito se tudo fosse só isso
Mas isso é menos do que tudo,
É menos do que eu preciso."
(Educação Sentimental II - Kid Abelha)


"De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz.
Não é tarefa das mais fáceis.
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor,
o que já é um pacote louvável,
mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre:
queremos, além de saúde, ser magérrimos,sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema:
queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton
e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor...
não basta termos alguém com quem podemos conversar,
dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados,
queremos ser surpreendidos por declarações
e presentes inesperados, queremos jantar
à luz de velas de segunda a domingo,
queremos sexo selvagem e diário,
queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar
ser felizes de uma forma mais realista.
[...]Você pode ser feliz solteiro,
feliz com uns romances ocasionais,
feliz com parceiros, feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente
quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro,
mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco
que vai tentar segurar a onda,
buscando coisas que saiam de graça,
como um pouco de humor, um pouco de fé
e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível
e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato,
amar sem almejar o eterno.
[...]Invente seu próprio jogo.

(Martha Medeiros)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Que venha 2011

Pequena listinha para uma reles mortal:

  • saúde
  • paz
  • harmonia
  • alegria
  • sorrisos
  • abraços
  • churrascos
  • brisa
  • mar
  • sol
  • beijo
  • adrenalina
  • dinheiro
  • afago
  • sexo
  • amor.