terça-feira, 19 de outubro de 2010

Liquidação

A casa foi vendida com todas as lembranças
todos os móveis todos os pesadelos
todos os pecados cometidos ou em vias de cometer
a casa foi vendida com seu bater de portas
com seu vento encanado sua vista do mundo (...).

(Carlos Drummond de Andrade)

P.S.: Este texto me fez recordar da velha casa dos meus pais, vendida recentemente, lá na minha terrinha, para dar lugar ao progresso e ao conforto. Até o título parece ter sido feito para a ocasião. Foi vendida por um preço, uma semana depois estava valorizada em quase 50%. Crudelíssimo!

Mutantes

É incrível como mudamos com o passar do tempo (para melhor, assim espero). Se a oportunidade que estou tendo hoje tivesse sido há cinco anos, era tudo o que eu queria, seria a glória! Hoje não é mais. Pode até ser necessário, racional, ponderado, como já disse, mas está longe de ser a glória. Hoje tenho outros horizontes, outras experiências, outras convivências, outros conhecimentos, outras ideias. No entanto, fiz o que tinha de ser feito... agora, é encarar! E chega de comparar, medir, pesar, ponderar, racionalizar, argumentar-tentar-convencer-a-mim-mesma que fiz a escolha certa. Está feita! Não adianta olhar para trás nem chorar mais... é chegada a hora de voltar a dormir tranquilamente e suavizar essas olheiras que teimam em não sair do rosto, não há como retroagir. Que o tempo venha em meu socorro; ele, o velho e grande mestre, o mais sábio de todos. Após tanta angústia e tanto sofrimento, deve haver uma recompensa à minha espera na próxima curva. Mesmo porque o final do percurso ainda está longe, bem longe... enquanto vislumbrarmos o horizonte, significa que continuamos a caminhar, que estamos no páreo!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Malandragem

Quem sabe eu ainda
Sou uma garotinha
Esperando o ônibus
Da escola, sozinha...

Cansada com minhas
Meias três quartos
Rezando baixo
Pelos cantos
Por ser uma menina má...

Quem sabe o príncipe
Virou um chato
Que vive dando
No meu saco
Quem sabe a vida
É não sonhar...

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar...

Bobeira
É não viver a realidade
E eu ainda tenho
Uma tarde inteira
Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Pra cantar...

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar...

Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Pra cantar...

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar...

Quem sabe eu ainda sou
Uma garotinha!

(Cazuza/Frejat)

Minha cara!

Esta postagem do blog Rainha de Copas é a minha cara, reflete bem o que estou vivendo:

"E eu sou mesmo esse dramático sentimento de que tudo está por um fio e eu estou prestes a perder tudo que eu penso que tenho mas não é meu. Estou andando na corda bamba acreditando sempre em sonhos impossíveis que eu teimo em pensar que talvez um dia, quem sabe, pode ser... Minha vida é um drama e eu sou a mocinha."


E olha que a mocinha chora... quer ver o drama fazer sucesso bota a mocinha pra chorar...

sábado, 9 de outubro de 2010

Metal Contra as Nuvens

Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão

Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,

O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.
Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.
[...]
É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.

Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.

Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.
- Tudo passa, tudo passará...
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.

(Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Dia D

"A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional."

Hoje, 08 de outubro, é o último dia para desistir dessa rotina, dos dois turnos do concurso, tenho até as 17h se quiser voltar atrás. Não vou fazer isso. A razão e os vários conselhos não me deixam. Sofri demais até hoje, recuperei a silhueta há tempos perdida, perdi o apetite e o sono, perdi a paz e a alegria. Mas ainda não perdi a auto-estima, e a partir de hoje, terá de ser conformação e luta. Luta por um atalho que me leve a um horizonte melhor. Afinal, nossa vida é marcada pelas oportunidades, inclusive as que perdemos.
E ter voltado para a mesma instituição tem seu lado bom, mas também tem seus efeitos colaterais. Conviver com parte das mesmas pessoas e com o mesmo ambiente é como voltar para um tempo que não gosto de lembrar por vários motivos. No entanto, será diferente. Não sou mais a mesma. Conceitos mudados, outros valores, outra pessoa. Escaldada, marcada, sempre aprendiz. E bem melhor que antes, posso garantir. Quase uma década se passou e confesso que aprendi muito, cresci muito com os solavancos que ganhei da vida. Agora, é seguir adiante. Aliás, acho que ninguém naquele grupo é mais o mesmo. Ou será que é? Pensando bem, tem gente que pouco (ou quase nada) mudou. Tem gente que consegue a difícil proeza de não mudar ou não evoluir.
Diante do panorama, só me resta ajustar as velas e me preparar pro que há de vir. Deus, será que estou fazendo a coisa certa? Deus sabe que não foi ambição. Foi medo, insegurança, incerteza em relação a um futuro próximo, a um futuro distante... responsabilidade. Se acertei ou não, só o tempo dirá, eu sei.
Vai passar
Vai passar
Vai passar
Vai passar
Vai passar?
*auto-estima: a aceitação que o indivíduo tem de si mesmo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Novo tempo

No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça

(Ivan Lins/Vítor Martins)

Três meses

Foram três meses de indecisão, de medo, de angústia, de preocupação. Espero que tenha passado, porque é chegada a hora de escolher um caminho e não olhar pra trás, de arriscar, de se atirar de corpo e alma e desejar profundo. E que seja a melhor escolha... E que seja o melhor caminho... há de ser!


"Ah! Eu quero colo
Quero colo sim, tipo surpresa
Eu quero colo pra que eu possa ficar feito um menino
Pra esquecer que existe a dor como destino." (Fábio Jr)

Pequeno grande homem

Dia 26 último ele aniversariou. Passei o dia pensando no quanto é especial pra mim e pra tanta gente. É incrível como ele consegue crescer e fazer com que cresçam todos à sua volta. É meu tio-mais-novo-irmão-mais-velho, aquele irmão que sempre sonhei ter: que aconselha, que apóia, que gosta de estar junto, que não perde uma farra boa, que gosta de reunir-se, que aprecia uma conversa interessante e ótimas companhias, que liga pra saber se está tudo bem, que participa da minha vida e me faz participar da sua, que olha no olho, que sabe quando não estou bem. Te amo Pipi!

"Eu te amo muito'

Acho que ninguém deveria dizer "eu te amo muito" porque amar é o suficiente, ninguém ama pouco. Ou ama ou não ama. Pode até gostar e não amar, porque gostar é menos do que amar. O amor é um sentimento amplo. Então é desnecessário dizer "te amo muito".