sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Escrito para mim

Diante do redemoinho que tem sido a minha vida nos últimos dois meses, na indecisão entre dois empregos, entre o que é melhor no presente e o que é melhor no futuro, tenho lido muitas coisas que parecem ter sido escritas para mim. Como estes trechos do blog da Marcele Alencar:

"Sabe aquele medo de não dar conta? Sabe aquela ânsia? Sabe aquela perturbação das idéias que tira o sono? Sabe aquele terror de que não consiga resolver tudo? Sabe aquele peso insuportável nas costas? Sabe carregar as responsabilidades todas? Sabe querer jogar tudo pra cima e se fazer de doida? Sabe quando a vontade é de sair correndo do problemas todos? Sabe quando a vida adulta se torna super difícil? Sabe quando tudo parece muito maior e muito mais difícil? Sabe quando tudo parece confuso e desanimador? Sabe quando a sensação é de que você é totalmente incapaz de lidar com a vida?"

"A adversidade é como um longo vento forte. Não quero apenas dizer que ela nos afasta de lugares aonde poderíamos ir, mas também arranca de nós tudo, menos as coisas que não podem ser arrancadas, de modo que depois nos vemos como realmente somos, e não apenas como gostaríamos de ser." (Memórias de uma gueixa - Arthur Golden; p.366)


Sabe quando tudo que você queria era correr pro colo dos pais e ficar quietinha, como fazia quando era criança e tinha medo de gente morta? É exatamente assim que venho me sentindo...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Coração do Agreste

Moacyr Luz e Aldir Blanc

Regressar é reunir dois lados
À dor do dia de partir
Com os seus fios enredados
Na alegria de sentir
Que a velha mágoa
É moça temporã
Seu belo noivo é o amanhã
Eu voltei para juntar pedaços
De tanta coisa que passei
Da infância abriu-se um laço
Nas mãos do homem que eu amei
O anzol dessa paixão me machucou
Hoje sou peixe
E sou meu próprio pescador
E eu voltei no curso
Revi o meu percurso
Me perdi no leste
E a alma renasceu
Em flores de algodão
No coração do agreste
Quando eu morava aqui
Olhava o mar azul
No afã de ir e vir
Ah! Fiz de uma saudade
A felicidade pra voltar aqui


P.S: Quando ouço esta música, dá uma saudade da terrinha.
Hoje ao cantá-la, a caminho do trabalho, filosofei:
"Migrei! Como muitos de minha terra...
Em busca de melhores e maiores oportunidades,
Em busca da tão famosa agitação da cidade.
E volta e meia penso se valeu a pena,
Se ainda vale toda essa correria.
O que é mesmo qualidade de vida?
Morar longe da família?
Vê-la somente em algumas datas, e rapidamente?
Não sei, não sei, não sei.
Muitas feridas não cicatrizaram tão rápido quanto pensei.
Algumas saudades só aumentaram...
Acabei descobrindo que não é tão fácil assim cortar o cordão umbilical."
Eis que, a partir de agora, diante da oportunidade que me surge,
poderei a qualquer momento voltar.
Será a hora?
Será que devo?
Ah, são tantas decisões a serem amadurecidas...
E mais uma vez, o bom e velho senhor tempo virá em meu socorro.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Eu sei, mas não devia.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(Marina Colasanti)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A incrível e fascinante Rachel

Quanto mais descubro o mundo fascinante de Rachel de Queiroz, mais me apaixono por ela.
Quando penso que já sei muito sobre ela, percebo que trata-se de uma mulher ímpar, inigualável, impressionante.
Estou lendo Existe outra saída, sim. É uma coletânea das crônicas dela, publicadas no Jornal O Povo. São magníficas.

"O gosto de ler não é um dom. O gosto de ler se pega, se ganha e fica para toda a vida. O livro, o jornal, a revista, o folheto, o quadrinho são os amigos de todas as horas. É o cachorro encadernado, que vem com você, sempre solícito, mesmo nos piores momentos. Quando tudo vai mal, o livro nos puxa lá do fundo. Nas boas horas, traz as idéias que nos fazem voar. "


"O outro lado do sertanejo é a sua herança rural. Mesmo que vivendo há décadas na cidade, ele guarda o sertão como sua morada espiritual. O espaço urbano não é mais do que um lugar de sobrevivência do modus vivendi do sertanejo."


Flávio de Queiroz Salek - sobrinho-neto de Rachel, na apresentação do livro supracitado.

Ah, a mente humana...

Prisão com solitária,
Maré baixa, calmaria
Pode nos enlouquecer...

domingo, 5 de setembro de 2010

Fato novo

Quando penso que o pior já passou e que a calmaria há de chegar, que o sono voltou (e com força total), eis que surge um fato novo e volta a insônia e o "caroço de manga" na garganta...
Havia feito um credenciamento interno para a Coordenação Pedagógica na Prefeitura de Fortaleza e, por ironia do destino, meu projeto garantiu o 1º lugar. O que isso significa? Que posso escolher qualquer uma das dez escolas credenciadas, que a oportunidade seria bem vinda e a experiência maravilhosa, se eu não tivesse sido aprovada num concurso estadual. Agora, estou eu no Estado do Ceará concursada, mas ainda não fui nomeada e empossada. Ainda posso voltar atrás... será que devo?
Ai, vai começar tudo de novo...
E justo às vésperas do meu aniversário, eu não queria isso...
Ai, ainda bem que TUDO PASSA, TUDO PASSARÁ...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sol de Primavera

Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez...

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar...

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer...

Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Aprender...

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha trazer...

Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Aprender...


Flávio Venturini
Composição: Beto Guedes e Ronaldo Bastos

P.S. Amo meu mês: SETEMBRO. Mesmo que no Ceará não tenha as quatro estações definidas. Amo saber que nasci no mês da primavera. É especial, tem o feriado do dia 7 que sempre acabo aproveitando e juntando com meu niver. É tudo de bom.

É ouro pra mim

Tudo junto no meu caso rolou de uma vez só
De repente o que era já não era mais
Mudou tudo [...]
Outra cara
Outra forma de ver e sentir
O que antes eu não entendia
Agora é ouro pra mim
A cabeça mudou
Outra cara
Eu tô fora e não vou mais sair
O que eu não precisava
Agora é preciso, [...] é assim
Lindo
Tô que nem criança
Tô de alma limpa
[...] Sou mais longe ainda
Hoje eu quero luz de sol e mar
Nova, renovada a força
[...] Tô mais forte ainda
Não tem nada fora de lugar

Renata Arruda
Composição: Peninha